(..) Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!
(Marília de Dirceu – Tomás António Gonzaga)
A figura feminina é uma constante sempre presente na literatura. São escritoras, poetisas, teóricas e temas. Figuras que fizeram história ao longo dos séculos, seja como personagens ou mulheres reais.
Há muito se fala de uma literatura de características marcadamente feminina, ou a Literatura Cor de Rosa. É claro que a mulher possui um ponto de vista próprio na escrita, pois seus dilemas, vivências e experiência são de fato um tanto diferentes, mas seus pontos de vista são sempre muito metamórficos e imprecisos mesmo nos gêneros.
Somos todos atuantes mútuos na sociedade, e em critério de arte e cultura, as sensibilidades artísticas de homens e mulheres se somam na construção do mosaico humano-mundo. Não creio numa composição em separado.
É forte papel influenciador de grandes nomes femininos na feitura da arte, só para citar Cora Coralina, Rachel de Queiroz, Adélia Prado, Clarice Lispector, Cecília Meireles as Lygias – a Fagundes e a Bojunga – no Brasil.
Iracema e Aurélia (Senhora) de José de Alencar. Capitu, Helena e Carolina de Machado de Assis. A Moreninha, de Joaquim Manoel de Macedo. Clara dos Anjos, de Lima Barreto. A Isaura, de Bernardo Guimarães… E assim seguimos numa lista ad infinitum de mulheres. Mulheres cujas vidas foram inventadas no papel, outras cujas vidas foram mais cruas do que o descrito, e ainda outras, cujas lembranças são quase lendas.
As mulheres são sempre um grande tema, e sempre um grande motivo de contestação. Já passaram pela fase Barroca, onde sua figura era vista como o suplício ou da tentação encarnada. Já passaram pela fase Romântica, onde seus encantos e levezas as faziam verdadeiros anjos encarnados. Também pela fase Realista, onde suas vidas se abeiram do conto de fadas ao avesso que é a realidade.
Proibidas de se manifestarem, valorizadas ou o próprio tema, sua participação é inegável, inclusive na relação com os livros, onde, a maioria dos leitores do Brasil, e do mundo, são mulheres.
Controvérsias cercam as vidas das Musas das grandes obras, e falar em musa é lembrar-se logo de cara dos poemas: as inspiradoras dos grandes poetas. São evidentes em certas obras ou fases; outras, nem tão evidentes assim.
Uma que sempre despertou um certo imaginário popular, e como toda boa musa, ainda hoje é digna de lendas, é a Maria Joaquina Dorotéia de Seixas. Essa sempre foi minha favorita, e todos a conhecemos sob alcunha de Marília de Dirceu.
Há alguns anos atrás, em uma viagem à Ouro Preto – cidade palco do mítico romance entre Dirceu (Tomás Antônio Gonzaga) e Marília (Maria Dorotéia) – lembro-me ter ficado abismada em ver o Arcadismo assim tão perto da vida, como uma moldura bucólica a eternizar os fatos.
Retornando recentemente àquela cidade, fiz questão de sentar-me sobre a Ponte dos Suspiros (de Marília) e ficar contemplando a linda manhã tentando relembrar alguns versos dedicados à Marília-musa. O Arcadismo sempre me foi uma escola-literária de grande afeto, além das comprovadas profícuas e belas composições.
Termino aqui deixando um trecho do poema dedicado a Maria Dorotéia, e o convite para que descubras o poder encantador e atuante das mulheres na literatura. Leia o poema Lira III.
Até a próxima!
Carla Guedes





Já havia me prometido que não adquiriria mais livros enquanto não lesse a maioria dos que eu tenho (a mancheias). Entretanto, fazer-me esta promessa, não significa deixar de dar uma “olhadinha” em uns livros por aí… E foi em uma recente olhadela dessas que a obra
Agora Fabiano era vaqueiro e ninguém o tiraria dali. Aparecera como um bicho, entocara-se como um bicho, mas criara raízes, estava plantado… – trecho de Vidas Secas


Este é o Meu Corpo
São Paulo fica um pouquinho longe de Macaé, eu sei. Em média, gasta-se na estrada umas 9 horas. Mas, surgindo qualquer oportunidade, não a perca! Para visitar: 
















