
Surgido no fim anos 50, a Bossa Nova é uma genuína expressão da nossa Música Popular Brasileira. Com a sua nomenclatura retirada da música Nossas Canções, de 1930, composta por Noel Rosa, a Bossa Nova se tornou umas das maiores forças culturais brasileiras.
Considerado um subgênero do Samba, a Bossa Nova vem apoiada no Jazz, no impressionismo das músicas eruditas e das canções norte americanas pós-guerra. Tudo isso mesclado às particularidades da criatividade e da improvisação brasileira, como paradas nas harmonias para dar encaixe ao que se canta.
Possui em suas letras e versos uma característica coloquial, leve e des-compromissada, mostrando uma total disparidade com as canções populares da época. Além de um jeito singular de cantar, considerado um cantar-falado ou “cantar baixinho”.
Reuniões corriqueiras de jovens da classe média do carioca em seus apar-tamentos na Zona Sul deram início ao movimento. O fomento da arte e a sua apresentação ao público, aconteciam em festivais universitários e foram parar no Beco das Garrafas, como era chamado o circuito de bares de Copacabana.
Logo a Bossa Nova foi integrada aos gostos da elite cultural brasileira, e não demorou muito para atingir as camadas mais populares. Em 1962 aconteceu no Carnegie Hall, em Nova Iorque, um histórico concerto onde a Bossa Nova seria apresentada e disseminada em todo o mundo. O movimento revelou vários grandes intérpretes e compositores como Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Nara Leão, Dorival Caymmi, Nelson Motta, Wilson Simonal e Baden Powell.
Entre os potenciais revelados, João Gilberto é considerado o maior de todos eles, já que além de enorme expressão na Bossa Nova, foi o primeiro a lançar um álbum em que se apresenta o estilo, um compacto contendo “Chega de Saudade” de Vínicius de Moraes e Tom Jobim além uma canção própria chamada “Bim Bom”.
A Bossa foi dividida em dois períodos: o primeiro onde as canções tinham propriamente o estilo bossa-novista em forma pura e num segundo momento quando as novas canções tinham influências de estilos regionalistas nacionais, como o Baião e Xote, se desprenderam de suas influências do Jazz norte-americano, aproximando-se das classes baixas e dos sambistas. Foi também quando as letras tornaram-se nacionalistas e de cunho popular.
O fim da Bossa Nova veio com um dos seus maiores autores, Vinícius de Moraes. Em uma composição em parceria com Edu Lobo, ele apresentou no Festival de Música Popular Brasileira a canção Arrastão, interpretada por Elis Regina. A melodia deu início a era do MPB (Música Popular Brasileira).
A MPB se tornou o primeiro estilo originado da Bossa Nova e ainda carrega suas influências. A mesma deu ao Brasil novos grandes nomes como Chico Buarque, Geraldo Vandré e Edu Lobo. O novo movimento vinha mais carregado das questões populares e nacionalistas, o que influenciava as camadas sociais e levou muitos de nossos artistas ao exílio, o que ajuda no fortalecimento do novo conceito fora do Brasil.
Até mesmo hoje a Bossa Nova, a MPB e suas canções estão presentes no nosso dia-a-dia: são as conhecidas músicas de barzinho. Quem nunca ouviu falar de Garota de Ipanema, de Tom Jobim? Ou quem nunca cantou “Caminhando e cantando, e seguindo a canção; Somos todos unidos, braços dados ou não”? Início de Pra não dizer que não falei das flores de Geraldo Vandré.
Apesar de pouca coisa nova ser feita, o estilo influenciou diversos artistas na composição de suas canções. Músicos famosos como Lobão, Cazuza e nomes internacionais, como The Who, usam ou utilizaram a Bossa como parâmetro para suas próprias canções.
Não importa quanto tempo passe, os estilos se mantêm atuais e significantes. O Brasil deve muito às nossas culturas musicais, e algumas fizeram mudanças no nosso modo de ser. Não há um final feliz sem um começo inspirador.
Igor de Souza