
Criei essa coluna com o intuito de discutir com vocês sobre tudo o que me viesse à cabeça. Em outra semana, iniciei a coluna escrevendo sobre títulos, por ser um assunto que causador de náuseas todas as vezes que termino uma matéria, compartilhei com vocês essa sina.
Essa semana, por ironia do destino, eu me vi insatisfeita com o material que tinha produzido. Me perguntei por onde começar a escrever uma nova matéria quando a taxa de inspiração está abaixo de zero. Deparei com assuntos que exigiam muito, ou que não exigiam praticamente nada. A procura pelo meio termo me fez pensar em política. Existe algo mais em cima do muro do que a própria política?

Se votamos em alguém novo que nos parece honesto, podemos estar dando o poder a uma pessoa errada. Mas se nós votamos em algum dos políticos corruptos, já conhecidos, só damos continuidade a um círculo vicioso de erros.
Em breve estaremos todos, frente a frente a uma urna qualquer. Seja em Santa Catarina ou no Rio de Janeiro, teremos que decidir o futuro de todo um país com apenas alguns dígitos. São tantos partidos, tantos políticos, tantas promessas… Fica difícil escolher alguém e depois poder dizer com orgulho que fez valer o seu voto.
Numa democracia a maioria vence. Ou seja, se você vota no mais honesto em sua concepção e a maior parte do restante da população vota no mais corrupto, ele vence e o seu voto é praticamente anulado.
Quando questionei as pessoas sobre isso, dei de cara com a idéia de votar em branco. Assim você anula a sua culpa e pode ficar de consciência tranqüila, correto? Nem tanto…
Você anula sim a “culpa” pelo candidato eleito, mas anula também seu direito ao voto, que foi dificilmente conquistado durante anos de luta. Anula sua opinião e, por fim, sua vontade de ter um mundo melhor. Ela (sua vontade) não segue em frente, fica estagnada pela sua falta de coragem em optar e assumir a culpa, caso tenha sido um voto “errado”.
A política também tem suas controvérsias. As pessoas hoje não optam pelo candidato mais honesto, mas sim pelo menos corrupto. O que vai roubar menos ou que não vai fugir com o dinheiro e apostar tudo em cavalos.
A boa e velha opção de votar na pessoa que lhe presta favores, ou naquela que é amigo do seu vizinho que resolveu se candidatar esse ano, não é a mais apropriada. Quem garante que ele vai continuar indo a sua casa e lhe dando sacos de cimento após a eleição?
Fechar os olhos para os problemas não resolve nada, e anular a sua vontade muito menos. Somos totalmente culpados pelos problemas que enfrentamos, parte por sermos a sociedade e não fazermos nada para mudar, e parte por votarmos em pessoas que tratam as coisas como consertar ruas e construir hospitais, como favores à população.
Ser sincero com um dos nossos maiores direitos, por qual lutamos tanto, é algo realmente necessário. Se acreditarmos em algo maior do que vivemos, quem sabe ele se torne real.
“É uma infelicidade da época, que os doidos guiem os cegos.”
William Shakespeare
Vote consciente!
Amanda Braz