É tão estranho olhar para pessoas que fizeram parte da sua vida e ver que elas já não fazem mais tanta diferença. Tornaram-se apenas pessoas. Quando amadas elas se tornam fundamentais, fazem parte dos melhores momentos, das maiores tristezas, dividimos medos e inseguranças. Depois a noite chega ao fim e elas se tornam apenas um vazio.
São tantas, com formas e personalidades diferentes, que entram e saem da nossa vida todos os dias. Não, elas não se substituem. Ninguém é realmente substituível, embora a gente sempre tente suprir a falta de uma pessoa com a presença de outra.
Já tive muitos amigos pelo mundo afora, sempre fui daquelas que quando se aproxima acaba ganhando o mundo, fazendo parte da vida daquela pessoa. Vou conhecendo aos poucos, dando conselhos e puxões de orelha.
Quando olho para trás, vejo o tanto de pessoas que deixei pelo caminho. Não que eu me arrependa disso, jamais! O tempo existe para passar, realmente.
Algumas amizades duram para sempre, muitas vezes distantes em corpo, mas presentes em alma. Estas estão sempre por ali, tão próximas, que a única forma de lembrar que não estão ali fisicamente é a saudade que bate quando precisamos de um abraço apertado. Outras tantas duram enquanto há cerveja e cigarro, ou enquanto a música da balada ainda está alta o suficiente.
Não vim realmente para falar da amizade, mas da palavra “passar”. Significa ir, deixar. Passar é apenas passar, quando estamos falando de lugares. Porém quando são pessoas, elas passam e deixam um pouco de si.
Você cresce ouvindo sua mãe dizer para não falar com estranhos, mas imagine que monotonia a vida seria se ninguém puxasse assunto na fila do banco, ou sentasse do seu lado na escola?
É impossível ser feliz sozinho, de fato. Precisamos ousar, conhecer. Todavia precisamos aprender que um dia as pessoas vão embora. Não nascemos para sermos entrelaçados a outras pessoas fisicamente. Podemos amar de longe, sentir falta, visitar. Temos vários meios de comunicação e locomoção, por que não aprender a amar mesmo a quilômetros?
Sou daquele tipo que apoia amizades à distância, que sempre vai se lembrar daquelas amigas do Ensino Médio com carinho. E que embora todos tenham passado, fui forte o suficiente para encontrar novas pessoas e formar novas famílias.
Tenho em mente que quando amamos muito, duas pessoas se tornam uma. Se complementam, viram unidade. A melhor maneira de viver é se deixar ser unidade todos os dias, com várias pessoas diferentes.
Como diz aquela frase muito conhecida “ninguém é tão pouco que vai embora sem deixar pelo menos um pouco de si”. Que deixe ao menos uma lágrima, um problema, um sorriso ou uma solução, mas que deixe, e tenho dito.
Amanda Braz


























