Caros leitores do Makaeh Cult, muito prazer! Ótimo estar aqui trazendo a vocês a coluna de Literatura. Grande responsabilidade, pois pra quem já vinha acompanhando o trabalho da colega Nathália Borges, sabe bem do alto nível da conversa que vínhamos tendo nesta seção. Venho então com este desafio de continuar o projeto idealizado e tão importante que é o espaço literário aqui no site.
Afinal, para início de conversa, alguém se lembra da definição da palavra Literatura? Corramos então ao dicionário para relembrá-la…
Literatura: s.f. [do latim litteratura, a partir da palavra littera, "letra"]: 1. A arte de compor ou escrever trabalhos artísticos em prosa e verso. (Fonte: Aurélio)
Definir este conceito talvez seja resolvido pensando-se na classificação dos textos em literário e não-literário. Recordamos então que a notícia no jornal ou a bula do remédio não são literaturas propriamente ditas. Precisamos de um “quê” a mais nos textos verbais. Enumero alguns: eloqüência, princípios teóricos, linguagem verbal, assunto…
Mas apenas isso não basta. Os dois quesitos mais importantes e marcantes presentes numa boa literatura são a estética e a subjetividade.
Literatura é a arte da palavra. Está carregada da alma de quem o fez, do enfoque que se quis dar, do período em que se retrata e do que é retratado, das conjunturas estéticas, dos padrões de escrita (ou a negação deles)… Literatura é a arte de tocar com verbos, subjetivos, adjetivos e rimas. Idéias em forma gráfica e palpável de letras. E é isso que abordaremos neste espaço durante as próximas semanas…
“De que serve o homem de letras para realizar seu gênio inventivo? Não é, por natureza, nem do movimento como o dançarino, nem da linha como o escultor ou o arquiteto, nem do som como o músico, nem da cor como o pintor. E sim - da palavra. A palavra é, pois, o elemento material intrínseco do homem de letras para realizar sua natureza e alcançar seu objetivo artístico.”
(Alceu Amoroso Lima, em A Estética Literária e o Crítico)
E nós, leitores de mundo, somos degustadores de todo esse banquete de prosa e poesia: sejam nos nossos bons e velhos amigos livros, na nossa vertiginosa e mutante Internet, ou talvez, nas telas de nossos mp4’s… obras literárias figuram por toda parte!
Paramos por aqui na nossa edição introdutória, propondo algumas reflexões e inquietações a vocês. Por ora, fica o convite de se pensar sobre o que é literatura, qual sua importância (individual e conjunturalmente falando) e qual nosso papel como leitores (depósitos de conceitos ou agentes críticos?).
Leitura crítica, leitura contemplativa, leitura estudiosa ou leitura pelo simples gosto de ler: não importa o olhar que escolhamos, ler é sempre um bom convite à viagem (seja ela ao mundo interior ou a mundos imaginários). Porque ler, é ser cult. Mas cult mesmo é ampliar nossa visão de mundo.
Plá da Semana
A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón
400 páginas - Editora Suma de Letras
Livro mais que aprovado, A Sombra do Vento é um sucesso que prende do início ao fim, sem ser clichê. Numa narrativa em compasso frenético, traça a história do menino Daniel Sempere na Barcelona de Franco Salazar do século XX. Entre casarões abandonados e a Biblioteca Cemitério dos Livros Esquecidos, Daniel busca o autor misterioso de um raro livro (que dá nome à obra). Afinal, quem é Julian Carax?
“Além de ser uma grande homenagem ao poder místico dos livros, é um verdadeiro triunfo da arte de contar histórias.” Recomendadíssimo!
Um grande abraço, e boas leituras!
Carla Guedes

















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