Amor sem Dogmas

Universo Feminino

Bonito, alto, olhos claros e cabelos curtos. Simpática, elegante, inteligente e um corte diferente no cabelo. Um belo casal no geral, mas com um pequeno problema de 20 anos, pois ela já partiu para os 40 e ele ainda está a fazer 20.

Dizem por aí que o amor não tem idade, que não há preconceitos em um relacionamento e que amor é o primeiro passo para tudo dar certo. Dizer é realmente mais fácil do que pôr em prática. Com o passar dos dias as piadas de mau gosto surgem e só quem é alvo das mesmas sabe o quanto isso é complicado.

Ele vivia escutando que só estava com ela devido ao carro e a casa de frente para a praia; e ela ouvia todos os dias que tinha tantos chifres que devia se envergonhar. É ai então que tudo começa a minar, e o encanto de estar junto vai se perdendo.

Por quê? Simples. Por mais que não acreditemos em uma fofoca ou piada boba, quando estamos inseguros em relação a algo, a menor cogitação de um dos nossos medos ser real ao ponto de outra pessoa ter a mesma visão, nos traz uma instabilidade tamanha que deixa tudo desandar.

O primeiro passo de um relacionamento então é a confiança? Sim, em partes. A confiança junto ao respeito é fundamental tanto para um casal da mesma idade, quanto para um casal que tem vidas e idades diferentes. Quando há além do amor claro e simples, o respeito, a confiança e a cumplicidade, pode-se estabelecer algo estável que mostre aos dois que qualquer diferença se torna indigna de tamanha atenção.

O grande problema da sociedade é ver o diferente, ter algo que contrarie o tradicional feijão com arroz que as pessoas estão acostumadas já muda tudo. Experimente oferecer uma comida de nome estranho para a sua bisavó. Provavelmente ela vai pensar que a sua geração está perdida e vai preparar balas de coco para você levar para casa. O tempo passa, mas nem todas as pessoas têm o dom da evolução, e isso é valido para os pensamentos.

É possível encontrarmos ainda hoje pessoas que não sabem lidar com casais homossexuais ou com a preferência de uma pessoa branca para com uma negra. Ou um rico e bem sucedido casado com uma balconista. As pessoas ainda têm a mesma visão de séculos atrás, conceitos definidos numa época de sociedade estamental, onde príncipes casavam com princesas. Queria poder contar a todas essas pessoas que o mundo não é cor-de-rosa, as nuvens não são feitas de algodão-doce e que não vivemos em um conto de fadas.

O amor devia inspirar liberdade, devia ser válido de todas as formas. Se você tem 30 anos e o amor da sua vida tem 15, espere ele chegar aos 18 para não ser presa por pedofilia (não podia perder o trocadilho) e depois invista. Afinal alguém paga as suas contas?

A parte ruim é quando as pessoas têm medo de assumir e serem julgadas. Mas por que temer? Pense apenas no que te faz feliz, não deixe acabar o que te faz sorrir todos os dias só por fofocas e palavras pelas metades.

Viver intensamente tem muito de se jogar na vida, ir contra dogmas de uma sociedade antiquada. Mas viver intensamente também tem muito de ser feliz. Seja feliz de todas as formas e maneiras, sendo ao lado de um dono de multinacional ou de uma bicicleta modelo 1997. E quando se ver bem dessa forma, cante para quem tanto quer ver o fim do seu relacionamento:

Que culpa a gente tem de ser feliz? Que culpa a gente tem, meu bem?!

Amanda Braz

* Esta matéria foi baseada neste artigo do site Bolsa de Mulher.

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