Dia do Folclore

Literatura

“O que é o que é? É surdo e mudo, mas conta tudo?”

O que é, o que é? Hoje, 22 de Agosto, é o Dia do Folclore no Brasil. E o que é surdo e mudo, mas conta tudo? É o nosso velho amigo livro.

Palavra formada por dois radicais saxões antigos (folk: povo e lore: conhecimento), o termo folclore foi utilizado para designar todas as maneiras de pensar, agir e sentir de um povo, preservadas pela tradição popular.

As bocas anônimas são a propulsão do folclore. Conhecimento oral circulante como vasta herança, de pai para filho, de avós para netos, seguem-se as receitas de mundo. São as sabedorias escondidas em ditados, simpatias, contos, parlendas, cantigas, autos e artesanatos. É uma forma de ver o mundo, peculiar a cada povo e região.

Especialmente hoje, vamos tratar da Literatura Folclórica brasileira, suas manifestações e definições. Caímos na questão de “o que é ser brasileiro”. Esta interrogação foi muito bem estruturada e apresentada por Gilberto Freyre, em 1933, com a obra Casa Grande & Senzala. Nela, temos a primeira idéia do brasileiro como mistura étnica e cultural entre brancos, negros e índios, com uma profunda análise religiosa, folclórica e sociológica.

Esta origem trina (negro, índio e branco) foi observada também em 1907, por Sílvio Romero, em sua Introdução para Contos Populares do Brasil, um compêndio de contos folclóricos brasileiros. Desprezando o cunho polêmico de sua idéia de “superioridade racial”, o estudo editado das tradições que antes eram unicamente orais é sem dúvida interessante.

Surge a figura do mestiço, e a miscigenação das lendas originadas na Europa, na África e dos próprios habitantes índios é que constituiria nosso material folclórico. Traçar um limite entre a origem de um e outro também é questão difícil. Tomamos como exemplo a lenda da Mãe d’Água, que pode ser considerada uma fusão da Iara indígena, da Iemanjá africana e da Sereia européia.

Outra figura responsável pelo estudo, recolhimento e propagação das nossas figuras fantásticas como Saci-Pererê, Boitatá, Curupira e mula-sem-cabeça, foi Luís da Câmara Cascudo, com mitos em linguagem fácil e gostosa como contada.

Na literatura folclórica, podemos destacar a literatura escrita e a literatura oral. Na escrita, um grande exemplo é a Literatura de Cordel, poesia popular impressa em folhetos rústicos com bonitas xilografias. O nome é inspirado na forma como é comercializado nas feiras (livretos pendurados em cordas, ou cordéis, com prendedores de roupa).

Sua linguagem é o dialeto do povo. Linguagem simples, mas rica em significados e elementos cômicos. São versos em sextilhas, septilhas ou décimas, e os assuntos são diversos… Há as que contam mitos para entreter, os chamados “romances” ou os de fatos de “opinião“, satíricos em sua maioria. Têm sua origem na primeira década de 1900, e constituem os registros no papel as bonitas pelejas que os trovadores ouviam dos repentistas e cantadores.

Em Macaé, recentemente houve uma série de apresentações do entusiástico Projeto Macaé em Cordel, baseado no livro homônimo do professor de literatura Aldo César. Nele figuram personagens ilustres da história da cidade como os índios Goytacazes, os escravos, Motta Coqueiro, professor Antônio Alvarez Parada e o recente tempo do petróleo.

“E o amanhã só Deus sabe,
 como diz o nosso povo.
 Não se faz novo começo
 pintinho não volta pro ovo
 mas podemos hoje fazer
 quem sabe, um futuro novo.” 
 (Trecho do livro Macaé em Cordel, de Aldo César)

O folclore e a literatura andam juntos, para registro e propagação de um de nossos maiores patrimônios: a cultura popular brasileira!

Plá da Semana

E continua valendo a promoção para ganhar um exemplar do livro Sagarana, de Guimarães Rosa!
Pergunta: “Qual o nome dado ao fenômeno lingüístico de criação de novas palavras, muito utilizado por Guimarães Rosa?”

Até agora, ninguém respondeu a pergunta…. Vou dar mais uma dica: as gírias fazem parte desse fenômeno, e a linguagem da internet também. Envie a resposta correta para o e-mail carlaguedes@makaehcult.com até dia 04 de Setembro.

Até a próxima, e ótima semana!
Carla Guedes

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