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A Biblioteca Mundial Digital da UNESCO

Literatura

Biblioteca; Espaço físico onde se guardam livros. 

Partindo da definição etimológica da palavra biblioteca, vemos que muita coisa mudou ao longo das eras. Hoje em dia, o espaço físico a que nos remetemos pode muito bem ser um espaço virtual!

A produção de conhecimento pelo homem implica também na garantia de acesso e conservação desse bem. A função das bibliotecas seriam assegurar essas duas características importantes para a manutenção das informações armazenadas nos livros. Se durante parte da História, o acesso fora restrito (vide O Nome da Rosa, de Umberto Eco), esse fato evidencia o poder que o conhecimento pode agregar ao indivíduo através da capacidade de questionar e pensar.

Grandes e famosas foram algumas bibliotecas do mundo. A Antiga Biblioteca de Alexandria, no Egito, em 295 a.C., é o maior exemplo do idílico acervo cultural humano. No Brasil, a Biblioteca Nacional, encravada no Centro do Rio de Janeiro, também exemplifica esse esforço de romantismo bibliófilo.

E se uma arrumação na bagunça do espaço virtual pudesse proporcionar esse tão buscado acervo cultural fidedigno? É com alguma esperança e alegria que no dia 21 de Abril será lançada a Biblioteca Mundial Digital (World Digital Library) na sede da UNESCO, em Paris.

O projeto implantado em 2005, com um protótipo lançado, será oficialmente inaugurado e disponibilizado aos internautas. Com participação de países do mundo inteiro como a Arábia Saudita, Brasil, Egito, China, Estados Unidos, Rússia, França, Iraque, Israel, Japão, Grã-Bretanha, México e África do Sul, o site pretende disponibilizar tesouros histórico-literários destes vários países, gratuitamente.

Funcionando em 7 idiomas (árabe, chinês espanhol, francês, inglês, português e russo), a ideia é ter um grande portal da cultura do mundo, com trabalhos raros e únicos sendo digitalizados. Serão incluídos manuscritos, mapas, livros, partituras e gravações musicais, filmes, gravuras e fotografias.

O maior acervo digital atualmente fica por conta da Biblioteca do Congresso Americano, que conta com cerca de 7,5 milhões de documentos on line. Inclusive, a equipe desta é que esteve coordenando o projeto da Biblioteca Mundial Digital, em parceria com as diversas instituições internacionais.

O Brasil, participante desde o início, teve total apoio da Biblioteca Nacional, que enviou reproduções de mapas e registros fotográficos de valor raro. Inclusive, todo o acervo em Português será brasileiro, já que as instituições de Portugal não estarão participando do projeto nesse primeiro momento.

Dentre essas maravilhas, poderemos consultar temas como história, religião, filosofia e ciência com explicativos do texto nas sete línguas do site, além de contar com recursos de aumento e visualização de detalhes de gravuras. Não deixe de conferir!

Cada vez mais iniciativas como essa irão engrandecer o ato da leitura, a disponibilidade para pesquisa e a democratização do conhecimento. Um dia, a internet será democrática para todos, tanto quanto gostaríamos…

Plá da Semana

O nosso plá desta semana será muito mais que uma dica, será um lembrete! 18 de Abril é o Dia Nacional do Livro Infantil. Quem não se recorda dos belos e fantásticos livros que folheou na infância e das histórias maravilhosas que conheceu? Pois bem, este dia é um brinde à nossa imaginação, e um parabéns acalorado ao também aniversariante do dia: Monteiro Lobato. Portanto, comemoremos o livro infantil e enxerguemos nele um instrumento prazeroso para desenvolvimento humano e transformação social.

Leitura no Brasil: Alguns Flashes

Literatura

Dia 29 de Outubro foi comemorado o Dia Nacional do Livro, e não podemos passar sem honras à comemoração desta semana. A propósito, o dia fora escolhido em homenagem à Biblioteca Nacional, pois que “a 29 de outubro de 1810, o Príncipe Regente determinou que no lugar que servia de catacumba aos religiosos do Carmo, fosse erigida e acomodada a Real Biblioteca no Brasil”…

O primeiro livro publicado pela Imprensa Régia aqui no Brasil consta de Marília de Dirceu, com poemas de Tomás Antônio Gonzaga à sua musa, Maria Dorotéia. Apesar disso, somente no ano de 1925, com os impulsos do escritor Monteiro Lobato para a criação da Companhia Editora Nacional, que houve uma pequena revolução no mercado editorial.

Este ano, mais uma vez, repetimos a pergunta que nunca cala: festejar o quê?!

Tempo, principalmente, de balanços. O Instituto Pró-Livro e o Observatório do Livro e da Leitura apresentaram dados recentes na pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, uma espécie de perfil do leitor brasileiro (ou também, do não leitor) no ano de 2007, e que de boa reflexão.

Na pesquisa em questão foram registrados alguns avanços em relação à última edição, que data de 2000. Nisso há alguma alegria, mas os avanços, como sempre, não são suficientes. Nas palavras de Galeno Amorim, “só não dá para parar para festejar porque há um chamamento nacional para pôr as mãos à obra.”

A realidade é crua. O tempo dedicado à leitura é baixo (a grande maioria, de 1 a 3 horas semanais); 48% dos entrevistados não haviam lido um livro há pelo menos três meses antes da pesquisa, e a média de livros comprada por ano é de 1,2 livro por leitor. Soma-se a isso a baixa renda, a dificuldade de acesso, e principalmente, a falta de incentivo (próprio e externo).

Uma boa surpresa é o aumento do índice de leitura. Outra é a preferência dos leitores pela poesia. Este dado deixa um grande ponto de interrogação, já que a dificuldade de publicação e venda nesse gênero é enorme. Fica aí um bom campo a ser trabalhado pelas editoras, divulgadores e livrarias.

Fatos em números? Aqui vão alguns deles:

Dificuldades de leitura: 17% lêem muito devagar; 7% não compreendem o que lêem; 11% não têm paciência para ler; 7% não têm concentração.

Ausência de leitura: 54% por falta de tempo; 34% têm outras preferências; 19% por simples desinteresse; 18% por falta de dinheiro; 15% por falta de bibliotecas.

No ranking de preferências, a leitura aparece em quinto lugar, logo após assistir televisão (com esmagadores 77%), ouvir música, ouvir rádio -notícias- e descansar (50%).

Há a pertinente reclamação de falta dos “pontos de venda”, requerendo uma melhor manutenção e fomento de livreiros e livrarias. Com irrisórios 2%, a venda pela internet nem tão cedo chegará à maioria da população, e, se chegar, não substituirá o contato e uma boa prateleira.

Vê-se que há um grande problema de acesso aos livros. Mas, mesmo tendo-os ao alcance, falta a descoberta, o prazer. É sabido também que a escola, querendo ou não, torna o livro um objeto chato e obrigatório. Assim, quando o aluno finda os estudos, faz questão de manter certa distância da leitura, desconhecendo a diversão que é se aventurar pelo próprio imaginário…

Mas, o trabalho de reversão desta imagem só está por começar. Cabe a nós redescobrir a importância cultural e social da leitura, e contagiar a todos ao redor. A iniciativa pra mudança começa no micro: presenteie com um livro, doe alguns já lidos, dê ao seu amigo a dica daquele livro que marcou sua vida, leia uma estória para alguma criança. Assim, sempre garantiremos um feliz Dia Nacional do Livro!

Plá da Semana

Este é o Meu Corpo, de Filipa Melo
135 páginas - Ed. Planeta

Este é um desses livros inquietantes e apaixonantes. Romance de estréia da jornalista angolana, trata de muitos corpos; vivos e mortos. Tudo gira em torno de uma trama, e um assassinato, trazendo, em cada observação, por mais crua que pareça, uma sensibi-lidade estonteante.

Uma ótima semana, e até!
Carla Guedes