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Ano Novo, Feliz Ortografia Nova!

Literatura

Ano novo, vida nova… e 2009 começa com mais alguma coisa de nova: a ortografia. Infelicidade para alguns, curiosidade e cautela a outros. No fundo, reaprendizado a todos.

Grafismos

A língua portuguesa vem passando por um longo e novelesco processo de comum acordo. A estória é antiga. Remonta desde como nasceu nossa língua-mãe e sua adoção nos países colonizados, até a atual influência geopolítica da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), que é formada pelos oito países independentes que possuem o português como língua oficial: Portugal, Angola, Moçambique, Brasil, Cabo Verde, Timor-Leste, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe.

Lá pelos idos dos séculos XIII à XVI, havia a prática da escrita baseada na pronúncia. Entretanto, isto causava uma grande divergência (lembra dos ditados?). O mesmo som pode ser representado de formas muito diferentes, como exemplificado em asa e azar; uma grafia pode representar muitos sons distintos, como o caso do xis: som de ch em xícara, e som de z em exame.

Do Renascimento, até o começo do século XX, surgiu um novo movimento, estando a buscar uma grafia mais consoante com as origens grega e latina dos radicais. Foi a era da ortographia etimológica, onde desfilaram palavras como theatro e pharmácia

Com a transformação de Portugal em república, no início do século XX, surge a necessidade de uma ortografia homogênea em solo lusitano (para regimento de ofícios, aplicação nas escolas, e manutenção do espírito nacional). Em 1911 é feita a primeira Reforma Ortográfica, proposta por Portugal e promulgada em lei.

Ao tentar aplicá-la em outros países lusófonos, Portugal recebeu veemente recusa do Brasil. Ao longo século passado, foram inúmeras as tentativas de aproximação, com a criação e Formulários e Acordos Ortográficos não aceitos por ambas as partes.

O responsável pelas mudanças atuais é o Acordo Ortográfico de 1990, como mais uma tentativa de uniformização da língua. Posto em vigor neste ano no Brasil, haverá um quadriênio para adaptação, que durará até 2012. Nesse período, o uso é facultativo, mas a partir de 2013 a regra é pra valer.

No nosso caso não será muito traumática: a reforma afetará apenas 0,5% das palavras e traz mudanças apenas no uso dos sinais, hífen, alfabeto (k, y, w) e sumiço do trema. Já em Portugal o índice sobe para cerca de 1,5%, já que serão abolidas as sequências consonânticas não pronunciadas, como os famosos óptimo, contacto, Egipto… Em todos os casos, não haverá alteração de pronúncia.

Mudar é difícil, principalmente quando já se está acostumado. Nossa memória ortográfica é baseada unicamente no quanto utilizamos certas palavras. É muito mais que uma questão de gravar regras: é o quanto escrevemos ou vimos escrito o vocábulo (lemos). Por isso, quando bate aquela dúvida se a palavra é com s ou z, ss ou ç, significa que não estamos acostumados a grafá-la, e nossa memória ortográfica falha.

Por enquanto o seu uso é apenas facultativo, mas fique atento em concursos e vestibulares; a regra será duramente cobrada se for pedida no edital. Se o uso for livre, nada de misturar as grafias nova e anterior: ou uma, ou outra.

Muitos sites e jornais, além de dicionários e livros já estão migrando para as mudanças recentes. Se puder, pratique desde já, assim será bem mais fácil quando for obrigatória. Como disse, a reforma só afeta uma pequena parte das palavras. Procure estar por dentro: só se aprende praticando.

Falamos unicamente nas implicações gráficas da Reforma, mas os impactos são ainda mais profundos. Não se trata de um simples preciosismo linguista: todos estes processos têm sempre uma conjuntura político-econômico-cultural por detrás. A briga ortográfica histórica sempre foi uma questão diplomática entre colonizados e colonizador, e a língua é uma marca evidente dessa relação.

A Reforma Ortográfica reforçará eixos econômicos e políticos entre os países lusófonos, inclusive no intercâmbio com outros blocos econômicos. Tanto no comércio de publicações editoriais e substituição do estoque de livros em relação aos países do continente africano, quanto no compartilhamento de pesquisa científica e fortalecimento da CPLP frente às outras comunidades.

Além disso, reforça a campanha de o português ser uma das línguas oficiais da ONU, já que documentos em português têm de ser duplamente redigidos: português de Portugal e português do Brasil.

Ainda não superamos de todo a última Resolução Ortográfica. Ainda vejo por aí grafados flôr, êle, côco… Quando nos acostumaremos à nova ortografia? Neste ano, os livros didáticos serão substituídos, nossas crianças já estarão sendo alfabetizadas pela nova regra. E criarão suas memórias ortográficas…

Plá da Semana

Michaelis

Para saber mais sobre tudo isso… visite o site oficial da CPLP - Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ou baixe o arquivo PDF com o Guia Prático da Nova Ortografia – Michaelis.

Guia da Reforma Ortográfica

Um grande abraço,
Carla Guedes

Aos meus leitores, apenas minhas breves palavras

Universo Feminino

Palavras com SentimentoPleno domingo este no qual escrevo para vocês mais uma vez. Geralmente evito colocar em minhas matérias, mesmo que seja apenas um pouco, os meus sentimentos. Bom jornalista é aquele que sabe escrever sem opinar, definir sem limitar. Mas dessa vez, para fugir das regras, acordei sentimental.

Domingo; dia este embalado por músicas românticas e belas frases de Shakespeare. Depois de perceber a intimidade de contar histórias pessoais que vocês viveram (através dos comentários em minhas matérias) para mim, mera escritora de fim de semana, resolvi que era hora de mostrar que sou tão pessoa quanto cada um.

Tenho lá meus problemas, medos e incertezas. Discuto, brigo e falo alto quando acho que preciso impor minha opinião. Como já dizia Shakespeare: “A coragem cresce com a ocasião”. E aproveito hoje para mostrar que eu sou uma pessoa comum, sou alguém como vocês.

Agora você deve estar se perguntando por que desse depoimento todo, não é verdade? Geralmente uso sentimentos e idéias fictícias, mas desta vez me apeguei ao real e resolvi mostrar a cada um, que aparece aqui toda semana, que realmente me importo.

Hoje resolvi falar sobre as palavras, por qual razão? Talvez não uma que eu possa explicar. Creio que já ouviram falar sobre vontade. É, esse é um bom nome para o motivo da escolha desse assunto: vontade. Quis escrever sobre o que embala o meu relacionamento com vocês, as minhas palavras.

Uma simples forma de comunicação. Usamos as palavras para ferir quem amamos ou julgar quem não conhecemos, mas também a usamos para demonstrar amor. São nossas maiores inimigas em momento de raiva e as mais fiéis escudeiras quando precisamos colocá-la em algo real, naquele olhar trocado ou beijo roubado ao anoitecer.

E quem escreve? Quem escreve deixa de ser dono de suas próprias palavras. Às vezes nem as sente, mas se faz sentir pelos outros.

Quando escutamos uma música e dizemos: Nossa, é exatamente isso que eu sinto! - ou quando ouvimos uma bela poesia e encaixamos nela aquele nosso momento de amor, tristeza ou até mesmo simples sensibilidade.

Escrever torna-se mágico quando fazemos de uma junção de palavras, os mais sinceros pensamentos e sentimentos. Torna-se mágico quando nossas palavras viram exemplo e têm significado para alguém que às vezes, nem ao menos conhecemos.

Deter o poder das suas palavras lhe torna forte perante os outros. É dizer pouco, dizendo tudo, e dizer muito querendo não dizer nada.

Amanda Braz