Gosto é o que há de mais imprevisível no ser humano. Pode-se dizer que é uma das coisas mais curiosas. Se acontece uma divergência de gostos com um filme, uma comida ou um hobby, tão frequente é também com um livro.
Artigo Primeiro; Parágrafo único:
- Ninguém é obrigado a gostar de um livro; sendo livre, inclusive, para desgostá-lo.

Pois é. Apenas não gostar daquele bendito livro (de capa até bonita e autor consagrado…) pode acontecer. Já aconteceu comigo inúmeras vezes, e já deve ter ocorrido com você também, caro leitor. No fundo, chego à conclusão que é uma questão de sorte, hora, lugar, posição dos astros e humor (se você até hoje nunca leu um livro que gostasse e por isso diz que detesta ler, auto lá: não há azar assim tão grande, ou mau humor que dê).
Começar a ler um livro que alguém adorou, até te indicou com entusiasmo, e não gostar dele – do princípio ao fim – é algo constrangedor. Quando é assim, paro até mesmo antes da contracapa chegar.
Daí começam as indagações existenciais: será que há algo de errado comigo? Será que não consegui captar a essência? O que todo mundo vê nesse livro de tão bom assim? Mas eu achei a narrativa mal costurada, chata mesmo…
Com o passar do tempo, fui aprendendo que simplesmente não há nada de errado em pensar diferente. Na verdade, nossos olhos são bem diferentes dos olhos dos outros; fixamos nossa atenção em novos detalhes, ampliamos ou damos foco no que achamos essencial… Por isso, mais que uma questão de íris: é questão de cuca e gosto; e pronto.
Mais do que normal, portanto, não gostar de determinado livro de primeira, e aclamá-lo numa releitura cinco anos depois. Você passou a enxergar coisas diferentes após 5 anos, pois adquiriu experiências diferentes nesse período. Mais que normal também você detestar aquele livro odioso até ficar velhinho, porque você vai sempre pensar assim sobre determinados assuntos.
Na escola, há muitos que sofrem com as indicações dos professores. Primeiro, que ler um livro por “obrigação” (com prazo de término e ainda com uma prova sobre) não é algo que te deixa muito à vontade. Segundo: você é obrigado a ler até o final uma obra que você nem gostou tanto. Eu sempre adorei as indicações; elas sempre me foram motivo de várias descobertas maravilhosas: conheci o Machado de Assis assim.
Mas teve um, um único dos tantos, que não me desceu bem pela goela. Não sei o que não deu certo entre eu e o Policarpo Quaresma, só sei que o seu Triste Fim me acabou sendo traumatizante. Paciência. Um dia tentarei relê-lo com mais carinho (que ainda está lá na estante esperando), e quem sabe não descubro algo de melhor.
E olha, a indicação de um livro é tarefa árdua. Até porque você tem de estar preparado para receber uma negativa. Certa vez, li uma opinião na Internet sobre um livro que eu tinha acabado de ler. E eram impressões totalmente opostas! Eu mesma havia mergulhado na narrativa, vivido as descobertas mais geniais… e a resenha sobre, falava que ele era altamente desgastante. Vai saber…
No fim, que opinião é certa? As duas! Um livro é pra mim aquilo que me faz sentido, e foi pra outra pessoa aquilo fez sentido (ou deixou de fazer) para ela. As vivências foram verdadeiras para cada um dos leitores. Gozado como são inextensíveis as experiências literárias.
Logo, nada mais justo que o Artigo Primeiro: “Ninguém é obrigado a gostar de um livro (…)”.
E acho que aqui cabe uma Emenda: “Só será válido e aplicável se especificado o motivo do desgostança”. No fundo a gente aprende muito mais sabendo o porquê de não gostarmos do que não sabendo o por que gostamos.
Plá da Semana
E de repente – Ploct!- nasce uma idéia literária. Assim também nasceu o Jornal Plástico Bolha, periódico literário da PUC. Dedicado em seu início a poetas universitários, com o tempo ele se estendeu a quem mais tem estouros de criatividade. O jornal é impresso, mas no site encontramos todas as edições, desde o primeiro número.
Um grande abraço,
Carla Guedes




Já havia me prometido que não adquiriria mais livros enquanto não lesse a maioria dos que eu tenho (a mancheias). Entretanto, fazer-me esta promessa, não significa deixar de dar uma “olhadinha” em uns livros por aí… E foi em uma recente olhadela dessas que a obra
Agora Fabiano era vaqueiro e ninguém o tiraria dali. Aparecera como um bicho, entocara-se como um bicho, mas criara raízes, estava plantado… – trecho de Vidas Secas


Este é o Meu Corpo
São Paulo fica um pouquinho longe de Macaé, eu sei. Em média, gasta-se na estrada umas 9 horas. Mas, surgindo qualquer oportunidade, não a perca! Para visitar: 
“Assim são as páginas da vida, 
















