Arquivo de Tag para 'Livros'

O Grande Reino do Pequeno Príncipe

Literatura

“Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo…” (A Raposa)

Acho que falar das coisas que nos cativam é um tanto mais difícil que falar das coisas que simplesmente passam por nós. Explicação simples: por mais que a gente queira expressar, as palavras nunca poderão alcançar com precisão o fato, o dado, o tido, o instante: o instante está sempre lá, flutuando, porém nunca mais será alcançado.

Eis anunciado o que costumo chamar de o Paradoxo da Literatura. Estenderia até, a tese: o Paradoxo da Arte. No mesmo momento em que a literatura nos empurra vertiginosamente para dentro do que é a experiência do outro (ou a objetivação do subjetivo) teremos a nossa própria experiência baseada na vivência do artista. Por mais lapidada, rara e concisa que a linguagem seja, não alcançaremos a expressão total do autor.

São os filtros do subjetivo. É algo como nunca estar completo: um jogo que sempre está perto do enigma, mas nunca o alcança.

E é nesse paradoxo que a literatura se constrói, num lugar onde nunca uma releitura será a mesma da leitura anterior. Desvenda-se a mágica da poesia: nunca o mesmo verso será o mesmo, e a palavra se vivifica.

Mas, e por que toda essa minha abstração? Tudo começou sobre “falar das coisas que nos cativam”…

É porque hoje decidi falar de um personagem de minha infância. Decidi por à prova toda minha estima, e minha frustração: por mais que eu o descreva e me esmere, acho que sempre vou ser incompleta em relatar o universo dessa admiração.

Pois bem, conta a lenda que “quem nunca leu O Pequeno Príncipe, não teve infância” (eu conheço algumas pessoas que se questionam preocupadas sobre esta lacuna, mas isso não vem ao caso).

Confesso que li a primeira vez sem muito entusiasmo, e com falta de paixão até. Era só para fazer jus à minha doce infância, feito um medo de que ela não acontecesse devido à profecia. Se resumiu à um encontro ocasional, um breve ‘oi’, uma leitura de obrigação. Infância garantida, reneguei meu personagem e sua estória à poeira da estante. Após caso arquivado, só depois de anos, num encontro de ocasião, é que descobri de súbito o grande reino deste pequeno príncipe.

Por que tudo isso não tinha feito sentido antes?

Porque tudo isso não tinha feito sentido antes.

A estória do Pequeno Príncipe não é apenas uma estória. É quase que uma parábola, beirando uma alegoria, tocando-se quase como um mito sobre a condição humana. Uma estória de crianças para adultos. Sim. Imagino crianças nas cabeceiras contando esta estória para os pais.

Perguntando um dia sobre as múltiplas formas de ver, eis que o Principezinho me segredou:

“As pessoas têm estrelas que não são as mesmas. Para uns, que viajam, as estrelas são guias. Para outros, elas não passam de pequenas luzes. Para outros, os sábios, são problemas. Para o meu negociante, eram ouro. Mas todas essas estrelas se calam.”

E assim na vida, como na arte, os olhos de ver são tantos e tão múltiplos…
É preciso reconhecer que a palavra se vivifica, e a literatura se renova. Mas nunca por ela em si, que nada pode. A literatura por si só é muda. Ela só pode falar através de nós, humanos, que a ressignificamos.

É preciso ter olhos de ver. É preciso trazer a chave. E talvez, tudo faça mais sentido: mas nunca, todo o sentido.

À bientôt, mon Petit Price! Maintenant les étoiles ça me fait toujours rire…
(Até breve, meu Pequeno Príncipe! Agora as estrelas sempre me fazem rir…)

Grande abraço!
Carla Guedes

* Esta matéria foi escrita em homenagem ao Ano da França no Brasil, que se encerra neste final de semana, e também à exposição O Pequeno Príncipe que está sendo realizada na OCA, em São Paulo.

A gripe do Mq. de Rabicó, a FLIP e outras coisas…

Literatura

“Vou-me embora pra Pasárgada (…)” - Manuel Bandeira

 

Mais um ano, e a irresistível FLIP diz adeus. Disse adeus a mim e a minha pequena limitação frugal de não poder banquetear a grande mesa do saber e do conhecimento, destrinchada sobre garfos de autores comezinhos.

Mas, não vamos chorar o leite derramado, brindado nos copos do banquete. Sobre isso já dizia minha avó – provavelmente inspirada na moral da fábula de cabeceira, A Vendedora de Leite, minha favorita de La Fontaine.

Também voltou a dizer sobre os desperdícios lácticos, o velho Chico. Não o rio, mas o Buarque. Talvez menos leite derramado sane a falta de leite do mundo, e combata um pouco desta fome. A fome do leite no bucho de milhares de nascituros, a fome de livros que se nota na mesa. Na mesa da escola.

Cantarolando o refrão: livro pra comida, prato…

Há pratos, mas há falta de comida (não nas despensas, que estão fartas). Há mesas. Será que há falta de fome?

A propósito das coisas internacionais, feito uma festa assim em Paraty, ser internacional hoje em dia anda um pouco perigoso. Vide a gripe que ronda os lenços (pobre Marquês de Rabicó). Soubesse um dia o Lobato sobre o mal que padece o nosso amigo, lhe teria precavido. E já há algum tempo, George Orwel alertou sobre a perspicácia suína e o grande poder que eles possuem de comandar uma Revolução. Seja a Revolução dos Bichos, ou o que seja.

Mas a gripe não preocupa. Preocupa o vírus inativo da poesia que há muito se incuba nos corações e não são escarradas nos papéis.

E ficam assim, inofensivos.

Um grande doente desse quilate foi o próprio Bandeira, o Manuel, que não teve vergonha de esconder sua doença fatal. Poiesiou até não mais poder. Fugiu pra Pasárgada, inúmeras vezes, e felizmente sempre voltou de lá pra nos dizer os seus noticiários. E quando o mundo ficava assim também meio indigesto; pronto! Ia pra Pasárgada outra vez. E até hoje ele é amigo do rei…

Mas o mundo concreto, esse sim, não dá pra fugir. A vida presente é a melhor matéria, como anuncia profético nosso Drummond (acho que um pouco do vírus que possuo, também é mutação da doença do Manuel, do Drummond e de tantos outros vírus juntos).

A propósito do Manuel (sim, o Bandeira) ter sido o propósito da festa, isso é fato mais que merecido. Quero chegar aos oitent’anos que um dia ele chegou, lutando a boa luta que ainda não se lutou.

Os convidados para o banquete, como sempre, causam as velhas e renovadas sensações. Uns nomes ao serem pronunciados provocam frisson. Outros, no entanto, não despertam nada na curta memória.

Naturalmente, acho que a gripe bateu mais forte por conta do nome áureo da FLIP: Lobo, o António. Também pudera: essa de lobo e sopro já conta o conto das casinhas de palha, madeira e tijolos.

Gosto do Lobo, o António. De sua fronte grisalha emanam pensamentos sutis. Cortes sutis e ferinos (ou lupinos, como preferir) nas camadas mais enraizadas do pensamento comum. Queria estar lá só para tê-lo visto, o Lobo, ditando as regras mais insensatas do bem escrever, num português de gostoso sotaque lusitano.

Viva o Marquês de Rabicó, e nosso eterno mote: Vou-me embora…
Pra onde mesmo?!

Esperando a próxima FLIP,
Carla Guedes

Campanha: Sente-se deprimido? Leia poesia!

Literatura

“Mens sana in corpore sano.” (Sátira XJuvenal)

O Ministério da Saúde, Educação, Cultura e Lazer, Desenvolvimento Humano e de Inclusão Social adverte:

Ler poesia é tiro e queda pra qualquer estado emocional alterado; cura tédio, depressão, loucura; alivia as dores de cabeça, do coração e da alma; também potencializa sorrisos, lágrimas, pensamentos e senso crítico. Persistindo os sintomas, recomenda-se fazer uso de criação literária, pois é caso crônico de criatividade tolhida. Posologia: sempre que se puder.

Nunca me senti envergonhada em afirmar que a literatura é minha terapia particular. Intuitivamente falando, acho que não é só a mim que se aplica esta máxima; e cientificamente, também não. Tantas e tantas pessoas que conheço costumam dizer coisas bem parecidas. “Escrevo poemas porque me alivia os sentimentos“. “Leio pra fortalecer a alma“. “Ler exercita o pensamento“. “Um bom livro é um bom remédio“.

Cada qual possui a sua terapia, e as receitas são pessoais. Há pessoas que tricotam, pintam, escrevem, meditam, cantam, cozinham, jogam… Mas existem terapias, além dessas particularíssimas, que se aplicam a todo e qualquer um da espécie Hommo sapiens (incluindo as outras espécies do reino Animalia e até mesmo as do reino Plantae).

A Musicoterapia é uma delas. Como linguagem universal, a música tem um poder de internalização instantânea, porém não é dela que queremos falar. Onde queremos chegar soa quase como a contemporânea biblioterapia: batizo de Poiesisterapia.

A Biblioterapia é tão antiga quanto o “Era uma vez…”. Acho que ela começou nas cabeceiras das crianças onde suas vovós e papais contavam histórias para sonhar. Começou nas tribos, onde em volta da fogueira eram narradas em conjunto as histórias fantásticas da floresta e da criação do universo. Começou com a arte de narrar dos trovadores galantes.

A tradição do conto quando não se tem o domínio da leitura e da escrita, é uma parte importante dela. E o que interessa tanto na Biblioterapia, quanto na nossa Poiesisterapia, é o dom de se curar através do fantástico encontro consigo mesmo que ambos permitem.

Qual apaixonado nunca identificou sua amada num poema de amor? E qual o jovem – os jovens de espírito – que não se identifica com os poemas de liberdade (da alma, da pátria, do indivíduo)? Nos momentos de sinestesia, nos momentos do quotidiano, em uma viagem ou nos momentos de dor (física e emocional)… Existem poemas para todos os gostos e estados d’alma. Eis a tautologia da Poiesisterapia.

Incrivelmente, quando se faz uso da leitura, e aqui, da leitura de poemas, há um pôr-se para fora. Tal como a filosofia, a poesia também está cheia dessas constantes. Ao pôr-se para fora, ao provocar estranhamento de ver as gastas matérias quotidianas de um ângulo nunca dantes imaginado, mergulhamos num encontro mais profundo com as partes que não conhecíamos de nós mesmos. Nos curamos pelo equilíbrio interior de se ver refletido; de se ver ser humano, de ver ser humano no outro (que também sente).

Fazer poesia, entalhar um texto, é um ritual à parte. Não só nos deparamos com toda essa parte desconhecida de nós, como a expomos para o mundo. E aí a tragédia do alívio: ficou no papel toda angústia, ansiedade, palpitação, pensamento repentino. Fica registrada a alegria, que pode ser revivida a cada vez lida. A mágica de perpetuação do bom, e o consolo da agrura.

Convido-o gentilmente a aderir esta campanha. Leia poesia! Faça poesia! Viva poesia. A cura é mais sutil e permanente do que podemos imaginar.

Plá da Semana

Biblioterapia, de Eva Maria Seitz
95 páginas – Habitus Editora

Nosso Manifesto da Poiesisterapia tem sua partida na Biblioterapia, que vem crescendo de forma tímida nas fileiras das universidades. Aliando os profissionais da Biblioteconomia aos da Saúde, prescreve-se a leitura e a contação de histórias como um passatempo, cultura e também para auxiliar nos processos de recuperação. Este embasado livro conta um pouco dessa experiência.

Pratique a Poiesisterapia!
Carla Guedes

Livre-se dos Livros!

Literatura

Não, esta não é mais uma chamada revolucionária anticultural, nem uma convocação inquisitorial com cheiro de fogueira, muito menos uma manifestação indignada dos anti-leitores. Mas, participe, livre-se dos livros!

Para você se livrar dos seus livros, dica é o que não falta. Vamos então propor aqui algumas iniciativas para você fazer com que eles estejam longe de você (mas perto de alguém que o precisa).

Para começar, o site LivraLivro é um dos caminhos. A ideia é simples. Você tem um livro em sua estante, que você já leu. Você está interessado em um determinado livro para ler, mas que ainda não possui. Com certeza, existe alguém que já leu o livro que você quer, mas que ainda não leu o livro que você já leu…

Então, livre-se do seu livro, que outra pessoa também se livrará do dela, e ambos estarão satisfeitos com a troca. Eureca!

A efetuação das trocas no LivraLivro funcionam mais ou menos assim: você se cadastra e monta duas listas. Uma lista será a de “Livros que Possui”, e a outra, a de “Livros que Deseja”. O resto será por conta do sistema, que têm mecanismos simultâneos de identificação, casando suas necessidades com as de outras pessoas. Achado a permuta (com sorte e ajuda da probabilidade), um e-mail é enviado, havendo um prazo para as trocas.

O envio é por sua conta, pelos Correios mesmo (que pode variar, dependendo do livro, de R$3,00 à R$8,00). Não é um custo muito alto, não é verdade? Há também um sistema de avaliação do usuário, que permite medir a reputação, confiabilidade de quem você está trocando (não vale enviar livro deteriorado, que você corre o risco de ser qualificado negativamente). Outra coisa que vale a pena enfatizar é que os livros trocados não serão devolvidos. É uma espécie de escambo dos tempos atuais.

Com proposta similar, trâmites um pouco diferentes (e muito mais dinâmico), o Trocando Livros é interessantíssimo! Com um sistema de créditos, você é quem faz a troca, e, para acompanhar o envio do seu livro, é disponibilizado o código de rastreamento pelos Correios. Conheço pessoas que já fizeram a troca, e não se arrependeram!

Outro projeto muito interessante é o Livro Errante, que nós já tivemos a oportunidade de falar um pouquinho aqui na nossa coluna (Projeto Chá de Letrinhas). Celebrado em território “orkuteano” e propagado em iniciativas mais, o Livro Errante prega a mesma ideologia: não deixe seu livro em uma estante; há outras pessoas querendo lê-lo.

Os caminhos para fazê-lo, são os mais diversos. Você pode se tornar membro da Comunidade e participar dos tópicos de lista de empréstimo ou ser um ativista radical, deixando por aí seus livros em praças públicas, bancos, ônibus, salas de espera. Dentro, coloque um recadinho: “Pegue! Leia este livro, e passe a iniciativa adiante!”

Nós achamos que os livros, em vez de amarelarem nas estantes, longe dos olhares curiosos, são destinados a estar ao alcance dos leitores. Assim, esses volumes passam de mão em mão, e são folheados, lidos e relidos (…) Viagem ao Centro da Terra, Jules Verne

São iniciativas próprias e criativas que vêm crescendo no território da web, nas escolas, bibliotecas, hospitais. O objetivo maior é levar a leitura a pessoas que talvez não teriam acesso; ou despertar a curiosidade de ler um livro naqueles que geralmente não o fazem por falta de incentivo; ou fazer a circulação de leituras pelo preço muito abaixo de uma obra: apenas a postagem de envio dos Correios!

Em tempos de crise, vale a criatividade. Não importa a crise que seja. Seja ela econômica, educacional, cultural ou humanitária, façamos a nossa parte para mudar o que nos cabe como indivíduos sociais que somos. Basta um pouco de união e exercício de nossas capacidades intelecto-morais.

Quase sempre nos sentiremos como o beija-flor que tenta apagar o incêndio na floresta, mas acho que não importa. O que interessa é o que realmente importa para nós.

Livre-se do seu livro!
Carla Guedes

Cartas a um Jovem Poeta

Literatura

“Uma obra de arte é boa quando surge de uma necessidade.” - Rilke

Aqui estou, novamente escrevendo, após um breve tempo de férias. Nesse breve tempo, as leituras renderam e as produções literárias também. Mas o grande dilema foi: o que falar disso tudo? Ou melhor: o que não falar?!

“Quando falar alguém grandioso e único, os pequenos têm de se calar”, disse Franz Xaver Kappus na introdução da obra Cartas a um Jovem Poeta. Pois bem, sigamos o seu conselho. Deixemos falar Rainer Maria Rilke através de suas sábias cartas; o mais célebre poeta de língua alemã do último século.

Rainer Maria Rilke (1875- 1926) nasceu em Praga, então parte do Império Austro-Húngaro. As suas obras e poemas tiveram um impacto grandioso em gerações e mais gerações de poetas, sempre despertando interesse e estudo aprofundado. Não é à toa que grandes poetas como Manuel Bandeira, Cecília Meireles e Augusto de Campos se incursionaram por traduzir suas prosas e poemas.

Na obra deste autor clarificam-se duas fases marcantes. A primeira corrente é marcada pelas coisas fluidas e mistificadas, com presença de figuras espectrais e diáfanas. Tal é o caso do conhecido (e favorito) poema Elegias de Duíno:

Não o sabes ainda? Atira dos braços o vazio
Para os espaços que respiramos; talvez que os pássaros
Sintam o ar mais vasto num voo mais íntimo.

Já a segunda corrente de Rilke, e provinda de um impulso interno não menos verdadeiro, é marcada pelas coisas propriamente ditas. Os chamados poemas-coisas. Mais densos, diretos e precisos, e imprimidos de uma beleza intelecto-emocional.

Aqui no Brasil, a produção literária da chamada Geração de 45 foi diretamente impactada, nos seus chamados “rilkeanismos”. Foi marcada principalmente pela fase mais diáfana da obra Elegias de Duíno. Já os seus poemas-coisas impressionaram poetas como João Cabral de Melo Neto.

Publicadas três anos depois de sua morte, as Cartas a um Jovem Poeta são realmente conselhos a quem quer se tornar um profícuo poeta ou escritor: ser um verdadeiro ser-humano. O então jovem Franz Kappus envia seus poemas ao consagrado Rilke e pede sinceramente que ele dê seu parecer sobre sua escrita. As cartas que trocaram durante anos são então matéria de nossa reflexão hoje.

Afinal, perguntamo-nos: a necessidade está em escrever ou em ser lido?

Pois bem, e já que me permite aconselhá-lo, peço-lhe que desista de tudo isso. Estás a olhar para fora de si. Investigue a razão que o leva a escrever, observe se ela lançou raízes no lugar mais recôndito do seu coração, pergunte se morreria caso fosse impedido de escrever. Acima de tudo, na hora mais silenciosa da noite, pergunte a si próprio: tenho de escrever? Escave dentro de si até encontrar uma resposta profunda. E se a resposta for afirmativa, se puder enfrentar esta séria pergunta com um «tenho» simples e forte, então construa a sua vida de acordo com essa necessidade; a sua vida, mesmo nas horas indiferentes e pequenas, terá de ser um sinal e um testemunho deste ímpeto.

Eis então a razão de ser da boa escrita! Não deve ser suprimento de nenhum apelo exterior, apenas das agruras e impulsos íntimos. Nisso vemos alguma arte. Nisso consiste a maior necessidade. Por fim, em palavras que muito me tocam, ele expressa o mais delicado conteúdo do ser-artístico:

Ser artista significa: não calcular nem contar; amadurecer como uma árvore que não apressa a sua seiva e permanece confiante durante as tempestades da primavera, sem o temor de que o verão não possa vir depois. Ele vem, apesar de tudo. Mas só chega para os pacientes, para os que estão ali como se a eternidade se encontrasse diante deles, com toda amplidão e serenidade, sem preocupação alguma.

Pois bem, deixemos que as cartas falem por si. Elas traduzem uma preciosa modalidade que Rilke soube conduzir: uma prosa, que apesar de prosa, não nega a substancialidade poética do acontecimento humano.

Plá da Semana

Cartas a um Jovem Poeta/A Canção de Amor e Morte do Porta-Estandarte Cristóvão Rilke, de Rainer Maria Rilke – 111 páginas – Editora Globo

E o Plá da Semana vai para… nosso ilustre Rilke! Nesta bela edição com prefácio de Cecília Meireles, lemos na íntegra as dez cartas selecionadas pelo aspirante Franz Kappus, mais um entusiástico poema. Numa linguagem simples e profunda, as missivas são a porta de entrada para que nós conheçamos um pouco mais da sutileza do Poeta. Para ler: a Primeira Carta do volume.

Um grande abraço!
Carla Guedes

A Biblioteca Mundial Digital da UNESCO

Literatura

Biblioteca; Espaço físico onde se guardam livros. 

Partindo da definição etimológica da palavra biblioteca, vemos que muita coisa mudou ao longo das eras. Hoje em dia, o espaço físico a que nos remetemos pode muito bem ser um espaço virtual!

A produção de conhecimento pelo homem implica também na garantia de acesso e conservação desse bem. A função das bibliotecas seriam assegurar essas duas características importantes para a manutenção das informações armazenadas nos livros. Se durante parte da História, o acesso fora restrito (vide O Nome da Rosa, de Umberto Eco), esse fato evidencia o poder que o conhecimento pode agregar ao indivíduo através da capacidade de questionar e pensar.

Grandes e famosas foram algumas bibliotecas do mundo. A Antiga Biblioteca de Alexandria, no Egito, em 295 a.C., é o maior exemplo do idílico acervo cultural humano. No Brasil, a Biblioteca Nacional, encravada no Centro do Rio de Janeiro, também exemplifica esse esforço de romantismo bibliófilo.

E se uma arrumação na bagunça do espaço virtual pudesse proporcionar esse tão buscado acervo cultural fidedigno? É com alguma esperança e alegria que no dia 21 de Abril será lançada a Biblioteca Mundial Digital (World Digital Library) na sede da UNESCO, em Paris.

O projeto implantado em 2005, com um protótipo lançado, será oficialmente inaugurado e disponibilizado aos internautas. Com participação de países do mundo inteiro como a Arábia Saudita, Brasil, Egito, China, Estados Unidos, Rússia, França, Iraque, Israel, Japão, Grã-Bretanha, México e África do Sul, o site pretende disponibilizar tesouros histórico-literários destes vários países, gratuitamente.

Funcionando em 7 idiomas (árabe, chinês espanhol, francês, inglês, português e russo), a ideia é ter um grande portal da cultura do mundo, com trabalhos raros e únicos sendo digitalizados. Serão incluídos manuscritos, mapas, livros, partituras e gravações musicais, filmes, gravuras e fotografias.

O maior acervo digital atualmente fica por conta da Biblioteca do Congresso Americano, que conta com cerca de 7,5 milhões de documentos on line. Inclusive, a equipe desta é que esteve coordenando o projeto da Biblioteca Mundial Digital, em parceria com as diversas instituições internacionais.

O Brasil, participante desde o início, teve total apoio da Biblioteca Nacional, que enviou reproduções de mapas e registros fotográficos de valor raro. Inclusive, todo o acervo em Português será brasileiro, já que as instituições de Portugal não estarão participando do projeto nesse primeiro momento.

Dentre essas maravilhas, poderemos consultar temas como história, religião, filosofia e ciência com explicativos do texto nas sete línguas do site, além de contar com recursos de aumento e visualização de detalhes de gravuras. Não deixe de conferir!

Cada vez mais iniciativas como essa irão engrandecer o ato da leitura, a disponibilidade para pesquisa e a democratização do conhecimento. Um dia, a internet será democrática para todos, tanto quanto gostaríamos…

Plá da Semana

O nosso plá desta semana será muito mais que uma dica, será um lembrete! 18 de Abril é o Dia Nacional do Livro Infantil. Quem não se recorda dos belos e fantásticos livros que folheou na infância e das histórias maravilhosas que conheceu? Pois bem, este dia é um brinde à nossa imaginação, e um parabéns acalorado ao também aniversariante do dia: Monteiro Lobato. Portanto, comemoremos o livro infantil e enxerguemos nele um instrumento prazeroso para desenvolvimento humano e transformação social.

Cine-Literatura

Literatura

“Os olhos do Sr. Button seguiram a direção apontada pelo dedo, e é isso que ele viu. Envolto em um lençol branco volumoso, e parcialmente abarrotado num dos berços, um velho aparentemente com cerca de setenta anos de idade.” – excerto do conto O Curioso Caso de Benjamin Button, de F. Scott Fitzgerald

OscarA mídia esquenta nesses tempos. Não só o Carnaval, mas também o bilionário ritual de 81 edições chamado Academy Awards, ou Oscar, acontecerão neste fim de semana.

E você, não pense que se enganou: esta não é mesmo a coluna comandada pelo Jonathan “Ceará”. Literatura e cinema têm mais a ver do que você imagina (assim como literatura tem muito a ver com muito mais coisas do nosso dia-a-dia).

Nunca se viu, nos últimos tempos, tantas indicações à estatueta de filmes baseados em livros ou contos. Fazem parte dessa mostra os cotados O Leitor, O Curioso Caso de Benjamin Button, Foi Apenas Um Sonho e Quem Quer Ser Um Milionário? (inspirado na obra Sua Resposta Vale Um Bilhão, de Vikas Swarup). Mas, o que explica essa alta dose de adaptações literárias?

Essa utilização já não é tão nova. Não só o cinema, mas também o teatro e a ópera se utilizam dos sucessos da literatura para abrilhantar seus enredos. No caso da segunda, é clássica a citação de Manon Lescaut, do escritor Abade Prévost, que fora adaptada para ópera pelos grandes Jules Massenet e Giacomo Puccini. No teatro, o ofício se confunde. Os grandes romancistas adaptaram suas próprias obras para teatro, e escreveram diversas comédias, tragédias e dramas.

A adaptação de obras brasileiras para as telonas não fica muito longe de ser comentada. Lembro-me de ter assistido, há muito tempo, o raro Morte e Vida Severina, com canções de Elba Ramalho, e que apesar do desenrolar obscuro das cenas, ficou para sempre gravada sua sensibilidade poética traduzida em cinética.

Poderíamos citar tantas outras adaptações nacionais: Memórias Póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis), Tieta do Agreste (Jorge Amado), Senhora (José de Alencar), O Menino Maluquinho (Ziraldo), O Auto da Compadecida (Ariano Suassuna), Bicho de Sete Cabeças (Austregésilo Carrano) e outros tantos.

Dos internacionais, temos um sem-fim de títulos. Destaque para as grandes trilogias, séries ou contos fantásticos tais como Harry Potter, O Senhor dos Anéis, ou As Crônicas de Nárnia. A tecnologia tem possibilitado a reprodução fiel daquelas cenas que antes só eram possíveis no nosso imaginário.

É bem sabido que é mais comum as pessoas lerem certo livro por ter visto o filme dele do que o contrário. Já comigo, posso citar o oposto: antes de ir aos cinemas, gosto de primeiro ler a obra. Ou, quando alugo um filme, vou pelas escolhas direcionadas: baseada nos livros e/ou clássicos que já li. O mesmo aconteceu com Viagem ao Centro da Terra, Volta ao Mundo em 80 dias, Orgulho e Preconceito, Oliver Twist e O Primo Basílio.

Comparações são inevitáveis quando se vê um e lê outro. Decepções também. Às vezes nós temos a sensação que aquele personagem que imaginamos foi pobremente caracterizado, ou que tal filme fantástico foi baseado em uma obra de enredo tão arrastado. No mais, cada um com sua particularidade e riqueza. Cada qual com sua linguagem e mensagem próprias.

Seria falta de roteiros próprios? Busca de renovação do consagrado? Certeza de público cativo? O que sabemos sobre a enorme quantidade de filmes sobre nossos livros preferidos ou adotados é que eles nos proporcionam, de certa forma, uma boa chance de releitura.

Afinal, o filme é sempre filtrado pelo olhar do roteirista e do diretor (vide a quantidade de cenas cortadas de uma produção cinematográfica). Com isso, podemos criticar ao acharmos que a mensagem principal foi perdida ou até manipulada… Ou observar coisas que não havíamos percebido em leituras anteriores!

Um grande abraço, e votos de paz,
Carla Guedes

Mulheres e Letras

Literatura

Marília Guignard(..) Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!
(Marília de DirceuTomás António Gonzaga)

A figura feminina é uma constante sempre presente na literatura. São escritoras, poetisas, teóricas e temas. Figuras que fizeram história ao longo dos séculos, seja como personagens ou mulheres reais.

Há muito se fala de uma literatura de características marcadamente feminina, ou a Literatura Cor de Rosa. É claro que a mulher possui um ponto de vista próprio na escrita, pois seus dilemas, vivências e experiência são de fato um tanto diferentes, mas seus pontos de vista são sempre muito metamórficos e imprecisos mesmo nos gêneros.

Somos todos atuantes mútuos na sociedade, e em critério de arte e cultura, as sensibilidades artísticas de homens e mulheres se somam na construção do mosaico humano-mundo. Não creio numa composição em separado.

É forte papel influenciador de grandes nomes femininos na feitura da arte, só para citar Cora Coralina, Rachel de Queiroz, Adélia Prado, Clarice Lispector, Cecília Meireles as Lygias – a Fagundes e a Bojunga – no Brasil.

Iracema e Aurélia (Senhora) de José de Alencar. Capitu, Helena e Carolina de Machado de Assis. A Moreninha, de Joaquim Manoel de Macedo. Clara dos Anjos, de Lima Barreto. A Isaura, de Bernardo Guimarães… E assim seguimos numa lista ad infinitum de mulheres. Mulheres cujas vidas foram inventadas no papel, outras cujas vidas foram mais cruas do que o descrito, e ainda outras, cujas lembranças são quase lendas.

As mulheres são sempre um grande tema, e sempre um grande motivo de contestação. Já passaram pela fase Barroca, onde sua figura era vista como o suplício ou da tentação encarnada. Já passaram pela fase Romântica, onde seus encantos e levezas as faziam verdadeiros anjos encarnados. Também pela fase Realista, onde suas vidas se abeiram do conto de fadas ao avesso que é a realidade.

Proibidas de se manifestarem, valorizadas ou o próprio tema, sua participação é inegável, inclusive na relação com os livros, onde, a maioria dos leitores do Brasil, e do mundo, são mulheres.

Controvérsias cercam as vidas das Musas das grandes obras, e falar em musa é lembrar-se logo de cara dos poemas: as inspiradoras dos grandes poetas. São evidentes em certas obras ou fases; outras, nem tão evidentes assim.

Uma que sempre despertou um certo imaginário popular, e como toda boa musa, ainda hoje é digna de lendas, é a Maria Joaquina Dorotéia de Seixas. Essa sempre foi minha favorita, e todos a conhecemos sob alcunha de Marília de Dirceu.

Há alguns anos atrás, em uma viagem à Ouro Preto – cidade palco do mítico romance entre Dirceu (Tomás Antônio Gonzaga) e Marília (Maria Dorotéia) – lembro-me ter ficado abismada em ver o Arcadismo assim tão perto da vida, como uma moldura bucólica a eternizar os fatos.

Ponte dos SuspirosRetornando recentemente àquela cidade, fiz questão de sentar-me sobre a Ponte dos Suspiros (de Marília) e ficar contemplando a linda manhã tentando relembrar alguns versos dedicados à Marília-musa. O Arcadismo sempre me foi uma escola-literária de grande afeto, além das comprovadas profícuas e belas composições.

Termino aqui deixando um trecho do poema dedicado a Maria Dorotéia, e o convite para que descubras o poder encantador e atuante das mulheres na literatura. Leia o poema Lira III.

Até a próxima!
Carla Guedes

Papel e Lápis: Apontamentos – Parte I

Literatura

Gosto é o que há de mais imprevisível no ser humano. Pode-se dizer que é uma das coisas mais curiosas. Se acontece uma divergência de gostos com um filme, uma comida ou um hobby, tão frequente é também com um livro.

Artigo Primeiro; Parágrafo único:
- Ninguém é obrigado a gostar de um livro; sendo livre, inclusive, para desgostá-lo.

Lápis e Caderno

Pois é. Apenas não gostar daquele bendito livro (de capa até bonita e autor consagrado…) pode acontecer. Já aconteceu comigo inúmeras vezes, e já deve ter ocorrido com você também, caro leitor. No fundo, chego à conclusão que é uma questão de sorte, hora, lugar, posição dos astros e humor (se você até hoje nunca leu um livro que gostasse e por isso diz que detesta ler, auto lá: não há azar assim tão grande, ou mau humor que dê).

Começar a ler um livro que alguém adorou, até te indicou com entusiasmo, e não gostar dele – do princípio ao fim – é algo constrangedor. Quando é assim, paro até mesmo antes da contracapa chegar.

Daí começam as indagações existenciais: será que há algo de errado comigo? Será que não consegui captar a essência? O que todo mundo vê nesse livro de tão bom assim? Mas eu achei a narrativa mal costurada, chata mesmo…

Com o passar do tempo, fui aprendendo que simplesmente não há nada de errado em pensar diferente. Na verdade, nossos olhos são bem diferentes dos olhos dos outros; fixamos nossa atenção em novos detalhes, ampliamos ou damos foco no que achamos essencial… Por isso, mais que uma questão de íris: é questão de cuca e gosto; e pronto.

Mais do que normal, portanto, não gostar de determinado livro de primeira, e aclamá-lo numa releitura cinco anos depois. Você passou a enxergar coisas diferentes após 5 anos, pois adquiriu experiências diferentes nesse período. Mais que normal também você detestar aquele livro odioso até ficar velhinho, porque você vai sempre pensar assim sobre determinados assuntos.

Na escola, há muitos que sofrem com as indicações dos professores. Primeiro, que ler um livro por “obrigação” (com prazo de término e ainda com uma prova sobre) não é algo que te deixa muito à vontade. Segundo: você é obrigado a ler até o final uma obra que você nem gostou tanto. Eu sempre adorei as indicações; elas sempre me foram motivo de várias descobertas maravilhosas: conheci o Machado de Assis assim.

Mas teve um, um único dos tantos, que não me desceu bem pela goela. Não sei o que não deu certo entre eu e o Policarpo Quaresma, só sei que o seu Triste Fim me acabou sendo traumatizante. Paciência. Um dia tentarei relê-lo com mais carinho (que ainda está lá na estante esperando), e quem sabe não descubro algo de melhor.

E olha, a indicação de um livro é tarefa árdua. Até porque você tem de estar preparado para receber uma negativa. Certa vez, li uma opinião na Internet sobre um livro que eu tinha acabado de ler. E eram impressões totalmente opostas! Eu mesma havia mergulhado na narrativa, vivido as descobertas mais geniais… e a resenha sobre, falava que ele era altamente desgastante. Vai saber…

No fim, que opinião é certa? As duas! Um livro é pra mim aquilo que me faz sentido, e foi pra outra pessoa aquilo fez sentido (ou deixou de fazer) para ela. As vivências foram verdadeiras para cada um dos leitores. Gozado como são inextensíveis as experiências literárias.
Logo, nada mais justo que o Artigo Primeiro: “Ninguém é obrigado a gostar de um livro (…)”.

E acho que aqui cabe uma Emenda: “Só será válido e aplicável se especificado o motivo do desgostança”. No fundo a gente aprende muito mais sabendo o porquê de não gostarmos do que não sabendo o por que gostamos.

Plá da Semana

Jornal Plástico Bolha

E de repente – Ploct!- nasce uma idéia literária. Assim também nasceu o Jornal Plástico Bolha, periódico literário da PUC. Dedicado em seu início a poetas universitários, com o tempo ele se estendeu a quem mais tem estouros de criatividade. O jornal é impresso, mas no site encontramos todas as edições, desde o primeiro número.

Um grande abraço,
Carla Guedes

Aquilo que vale à pena

Literatura

“O ‘Chá de Letrinhas’ foi uma das experiências mais encantadoras que tivemos em 2008. (…) sentimos a alegria de poder abrir janelas de novos horizontes, através dos livros doados.” - Marilda, em comentário ao blog Livro Errante

Mais um ano chega ao fim. Daquilo que vivenciamos, lemos e experimentamos, ficam os melhores aprendizados. É certo que a leitura e a formação de leitores no Brasil, como um todo, está ainda muito longe do ideal. Apesar de tudo, as mais simples iniciativas são um raio de esperança e mostram que tudo pode e deve mudar!

Nesta última matéria da coluna de Literatura este ano, é mais que justo homenagear um projeto que começou no ano passado e rendeu muitos bons frutos em 2008. Nascido na comunidade do orkut, Livro Errante, o Chá de Letrinhas recrutava Madrinhas e Padrinhos Errantes para a doação de livros a alunos da 3ª série da Escola Municipal Antônio Sérgio Teixeira, em Poços de Caldas, Minas Gerais. Nesse recrutamento solidário interagiram pessoas de todo o Brasil.

Para falar do projeto, entrevistamos a Profª Lívia Garcia, que ao longo deste ano letivo pôde ver de perto as surpresas, emoções e curiosidade de seus pequenos leitores!

Conte-nos um pouquinho de sua experiência com a Literatura…

Meu nome é Lívia Garcia. Desde pequena fui envolvida no mundo letrado através de histórias, poesias e “causos”, típicos de nossa região. Tenho como referência principal, minha tia Ruth, que desde cedo recitava poesias. Os “recitais” eram comuns quando pessoas da sociedade e da própria família iam nos visitar. Meus primos e eu recitávamos poesias enquanto minha querida avó dedilhava no piano lindas músicas e minhas tias lhe acompanhavam cantando. Já minha formação acadêmica seguiu os passos de outra tia; a tia Beatriz que me fez encantar com a sala de aula, vendo seu magnífico trabalho de alfabetizadora. Hoje sou professora da Rede Municipal em Poços de Caldas há 4 anos.

Como nasceu o Projeto?

O projeto do “Livro Errante” foi apresentado à escola pela minha vice-diretora Cláudia, no início de 2008. Ela nos mostrou a comunidade no orkut e disse que pessoas maravilhosas iriam mandar livros. No início o projeto estava direcionado para alunos da fase introdutória de alfabetização, mas como eu adoro novidades, resolvi entrar no projeto com meus 32 alunos de 3ª série. Assim que os livros foram chegando à escola, eu apresentava para as crianças e fazia um mistério para deixarem curiosos para ler. As crianças escolhiam o livro, e após feita a leitura, contavam para os colegas, na intenção de deixá-los interessados a ler também.

De onde surgiu o nome que o batizou?

O projeto “Chá de Letrinhas” foi uma releitura do projeto executado pela professora de Português, Andrea. O original chama-se “Chá com Letras” e, como o nosso é direcionado aos pequenos, colocamos o título no diminutivo também.

Continue lendo ‘Aquilo que vale à pena’