No mundo moderno e tecnológico de hoje, opções de conexão com a world wide web não faltam. Existem diversas modalidades como a conexão a cabo, rádio, linha telefônica, via celular e agora uma tecnologia revolucionária que promete mexer com o mercado de provedores: a internet via rede elétrica!

Semana passada a Anatel aprovou a nova tecnologia de acesso à internet pela rede elétrica. Também conhecida por BPL (Broadband over Power Line) para quem produz e PLC (Power Line Communications) para quem utiliza, a tecnologia se utiliza da boa e velha energia elétrica. Através dos cabos já existentes, o sinal percorre o caminho entre o provedor e a sua residência. Isso pode transformar as tomadas de sua casa em pontos de acesso, desde que você possua um modem.
Num primeiro momento a tecnologia além de interessante parece ser muito bem-vinda, já que a energia elétrica cobre 98% dos domicílios brasileiros. Isso proporcionaria internet a lugares nunca imaginados e que são deixados de lado pelas operadoras de internet banda larga simplesmente por não ser interessante economicamente.
A transferência de dados funciona convertendo os bits em pulsos elétricos e depois são transformados em tensões correntes que navegam pela rede de energia até a casa do cliente. A conexão hoje em testes no país atinge a velocidade máxima de 45 megabits por segundo, podendo em breve alcançar a incrível (para os padrões brasileiros) taxa de 200 Mbps.
O sistema funciona da seguinte maneira: o sinal da internet percorre pelos mesmos cabos de energia elétrica, porém em frequência diferente para não haver conflito. Ele chega até a caixa de força da residência e é distribuído pelas tomadas elétricas dos cômodos. Através de um adaptador Ethernet, o usuário encaixa um cabo de rede na tomada e liga a outra ponta à saída de rede do computador para se conectar a internet.
Com a PLC, a questão de indisponibilidade técnica poderá ser erradicada, e para isso não se necessita tanto investimento em infraestrutura como uma rede que começa do zero. Como já existem os postes, cabos e torres de transmissão, o custo seria empregado apenas na implantação da tecnologia, um fator que bateia e acelera o cronograma de disponibilização.
Mais internet = menor preço. Com a explosão da oferta de acesso a internet o preço do serviço – não só via rede elétrica, mas como um todo – tende a cair e assim baratear o acesso residencial. O adaptador para BPL custa hoje R$ 199 e já se aproxima ao preço dos modems de outros tipos de conexão.
Os contras também existem: a energia elétrica do país é muito suscetível a fatores externos. Ruídos, perda de intensidade do sinal, variações na tensão, interferências de outros eletrodomésticos e eletrônicos, além de uma possível briga de sinal com as rádios amadoras que operam numa frequência muito próxima e principalmente o famoso “gato“. Mas especialistas dizem que novos equipamentos são capazes de sanar estes problemas.
Acontece que como toda nova tecnologia ela não está sendo muito comentada fora do âmbito tecnológico e das rodas de conversa de geeks. Até agora o governo não sinalizou nenhum apoio ou incentivo a novidade, algo que pode ocorrer quando ela ficar mais iminente. De inimigo a isso, só as operadoras de internet via linha telefônica.
Empresas como a Eletropaulo, Cemig e Copel já realizam testes avançados com a tecnologia podendo em breve oferecer o produto junto com provedores de acesso à internet. Daqui a alguns anos isso pode ser tão normal quanto a banda larga é hoje.
Literalmente plug and play!
Kaleb Aurich

















