O Makaeh Cult traz mais uma ótima reportagem, para entrar na seleta lista de grandes entrevistas do site. Hoje iremos publicar a conversa que tivemos com um dos nomes mais importantes da música eletrônica brasileira.

Trata-se da carioca Camila Milieme, mais conhecida como DJ Kammy, e que é considerada uma dos 10 melhores DJs do país, além de figurar em 22º lugar no ranking das 100 melhores DJs femininas do planeta, elaborado pelo site- britânico especializado SheJay.net.
Esta moça de 29 anos que arrasa nas picapes tocando techno é reconhecida como referência no mundo todo e dá orgulho ao Brasil participando das festas mais importantes do circuito internacional de música eletrônica, sem deixar o carisma e a beleza de lado.
Nesta entrevista concedida por e-mail, a simpática DJ fala um pouco da sua história, desejos, suas preferências, prós e contras da profissão, opiniões e a expectativa de tocar na festa Summer Club Macaé, da qual será a principal atração musical. Confira:
1) Conte-nos um pouco sobre como você acabou se tornando DJ e porque você escolheu rumar este caminho?
Eu sempre fui aficionada por música desde pequena e com o passar dos anos só aumentou o meu amor por isso. Música eletrônica comecei a ouvir bem cedo. Meu pai sempre me apresentava a diversas bandas da época como Kraftwerk, Depeche Mode, entre outras que foram importantes para minha formação musical. Comecei a frequentar festas de Techno muito nova, tinha 16 anos… (nossa! 13 anos atrás)
Aí eu meio que me encontrei né?! Quem conhece sabe. (risos) Mas demorei 4 anos para começar a tocar, o que me ajudou a adquirir um bom repertório musical durante esse tempo que era apenas uma menina pendurada na cabine vendo DJs como Maurício Lopes e Ricardo NS tocar…
2) Na sua opinião, qual foi a melhor festa em que já se apresentou? Aquela que é inesquecível, que mais te marcou?
Vou citar algumas que são memoráveis ao longo da minha carreira: Aloca, Bunker, Circuito; o meu aniversário de 27 anos na Quebra Tudo no Fosfobox (festa que eu produzo); a Ipanema Stereo Beach; em Cuiabá tiveram várias memoráveis, adoro aquela terra!
Tem também o Pukkelpop Festival na Bélgica; Metro e Blau Club na Espanha; a Subclub na Eslováquia… são gigs memoráveis.
3) Qual é a sua canção preferida? E quais não podem faltar na hora de você se apresentar?
Minha canção preferida é dureza de responder. Por exemplo, Inner City – Good Life, um clássico! Essa eu sempre toco: Morgan – Flower Child :-)
4) Quais DJs você toma como referência ou considera brilhantes no mundo da música eletrônica?
No Brasil: Maurício Lopes!
No mundo: Jeff Mills (definitivamente minha maior influência em termos de música e mixagem) e Dave Clarke.
5) Qual lugar do Brasil ou do mundo você ainda não tocou e gostaria muito de se apresentar, e com qual DJ ainda não teve a oportunidade, mas gostaria muito de dividir o deck?
Existem alguns festivais conceituados. Como o Awakenings e o Monegros, onde gostaria de atuar. Certamente [tocar] com o Jeff Mills… Espero que isso aconteça, ainda antes de ele se aposentar. (risos) :-)
6) O universo dos DJs é bem democrático na questão de homem x mulher, ou ainda se configura um pouco machista?
Hoje em dia virou democracia. Aliás, pelo que tenho visto hoje, ser DJ para mulher é muito mais fácil do que para um homem…
7) Qual a melhor coisa em ser DJ e qual a maior desvantagem da profissão?
Fazer o que amo, sem dúvidas! Já ter que ficar virando noite para trabalhar é foda…
8) Agora com vários ex-participantes de reality shows, atores e modelos se aventurando no mundo dos DJs, você acha necessário criar a obrigatoriedade de um diploma para exercer a profissão? Hehe
Não acho que isso seja necessário. Essa escola não precisa de um diploma e sim de background musical e conhecimento. Nossa profissão está sendo absurdamente avacalhada por essas pessoas. Acho que esses artistas deveriam ter um pouco de bom senso, e por isso que eu digo… cada vez mais eu amo o underground!!! :-)
9) Para você quais são os principais valores ou características a pessoa deve possuir para se tornar um bom DJ? Você acha que mais vale a técnica apurada ou o talento em agitar o público?
Se for para só agitar o público, é mais fácil chamar um palhaço né, rsrs! (risos) Brincadeiras à parte, eu acho que no final o que conta é um pouco de cada, técnica apurada e repertório. Se você conseguir 45% em cada e ainda usar os outros 10% que faltam com carisma, tá lindo! Mas eu não acho que carisma tem a ver com talento, de jeito nenhum!
10) Com a popularização da internet e o fácil acesso ao conteúdo musical gerado, sabemos que isso ajudou a classe artística, porém também tornou o meio bem mais competitivo. Como você avalia isso e no que acredita que sirva como diferencial para se sobressair em meio a essa enxurrada de opções, muitas não tão boas mas que acabam fazendo relativo sucesso?
O mercado está muito confuso sim, imagino que muitos promoters devem ser bombardeados por informações erradas e são absorvidos por falcatruas na cena… Como nós sabemos, existem em todo meio! O melhor recado é “seja você mesmo e faça o diferencial. Se eu fiz e muitos outros fizeram, existe chance para todos!”
11) Sabemos que hoje em dia “nem só de áudio vive o homem, mas vídeo também”. Gostaria que você desse a sua opinião sobre o trabalho dos VJs, algo crescente nas festas. Você considera estes profissionais parte importante do espetáculo, acredita que seja mais difícil que mandar bem na picape ou cada um (DJ e VJ) tem suas particularidades?
Com relação à dificuldade eu não posso dizer muito, por que eu nunca exerci esse trabalho. Mas sem dúvida acho algo brilhante quando bem feito e manipulado. Nos dias de hoje, imagem e música caminham juntas sem dúvida!
12) Por favor, deixe o seu recado convidando o público do site a conferir sua performance na festa onde irá se apresentar em Macaé, a Summer Club…
Sempre escuto falar muito bem das festas de Macaé pela minha amiga Chris [Rocha], e a galera que eu conheço daí é muito querida! Estou MEGA pilhada!! Nos vemos na Summer Club!!!
Agradecimentos especiais à DJ Kammy por ser tão solícita e topar participar da entrevista; e também a Manoel Bastos e Alexandre Pereira, organizadores da Summer Club Macaé por proporcionarem a oportunidade da matéria.
Faltam 07 dias para uma experiência única!
Equipe Makaeh Cult


















