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Campanha: Sente-se deprimido? Leia poesia!

Literatura

“Mens sana in corpore sano.” (Sátira XJuvenal)

O Ministério da Saúde, Educação, Cultura e Lazer, Desenvolvimento Humano e de Inclusão Social adverte:

Ler poesia é tiro e queda pra qualquer estado emocional alterado; cura tédio, depressão, loucura; alivia as dores de cabeça, do coração e da alma; também potencializa sorrisos, lágrimas, pensamentos e senso crítico. Persistindo os sintomas, recomenda-se fazer uso de criação literária, pois é caso crônico de criatividade tolhida. Posologia: sempre que se puder.

Nunca me senti envergonhada em afirmar que a literatura é minha terapia particular. Intuitivamente falando, acho que não é só a mim que se aplica esta máxima; e cientificamente, também não. Tantas e tantas pessoas que conheço costumam dizer coisas bem parecidas. “Escrevo poemas porque me alivia os sentimentos“. “Leio pra fortalecer a alma“. “Ler exercita o pensamento“. “Um bom livro é um bom remédio“.

Cada qual possui a sua terapia, e as receitas são pessoais. Há pessoas que tricotam, pintam, escrevem, meditam, cantam, cozinham, jogam… Mas existem terapias, além dessas particularíssimas, que se aplicam a todo e qualquer um da espécie Hommo sapiens (incluindo as outras espécies do reino Animalia e até mesmo as do reino Plantae).

A Musicoterapia é uma delas. Como linguagem universal, a música tem um poder de internalização instantânea, porém não é dela que queremos falar. Onde queremos chegar soa quase como a contemporânea biblioterapia: batizo de Poiesisterapia.

A Biblioterapia é tão antiga quanto o “Era uma vez…”. Acho que ela começou nas cabeceiras das crianças onde suas vovós e papais contavam histórias para sonhar. Começou nas tribos, onde em volta da fogueira eram narradas em conjunto as histórias fantásticas da floresta e da criação do universo. Começou com a arte de narrar dos trovadores galantes.

A tradição do conto quando não se tem o domínio da leitura e da escrita, é uma parte importante dela. E o que interessa tanto na Biblioterapia, quanto na nossa Poiesisterapia, é o dom de se curar através do fantástico encontro consigo mesmo que ambos permitem.

Qual apaixonado nunca identificou sua amada num poema de amor? E qual o jovem – os jovens de espírito – que não se identifica com os poemas de liberdade (da alma, da pátria, do indivíduo)? Nos momentos de sinestesia, nos momentos do quotidiano, em uma viagem ou nos momentos de dor (física e emocional)… Existem poemas para todos os gostos e estados d’alma. Eis a tautologia da Poiesisterapia.

Incrivelmente, quando se faz uso da leitura, e aqui, da leitura de poemas, há um pôr-se para fora. Tal como a filosofia, a poesia também está cheia dessas constantes. Ao pôr-se para fora, ao provocar estranhamento de ver as gastas matérias quotidianas de um ângulo nunca dantes imaginado, mergulhamos num encontro mais profundo com as partes que não conhecíamos de nós mesmos. Nos curamos pelo equilíbrio interior de se ver refletido; de se ver ser humano, de ver ser humano no outro (que também sente).

Fazer poesia, entalhar um texto, é um ritual à parte. Não só nos deparamos com toda essa parte desconhecida de nós, como a expomos para o mundo. E aí a tragédia do alívio: ficou no papel toda angústia, ansiedade, palpitação, pensamento repentino. Fica registrada a alegria, que pode ser revivida a cada vez lida. A mágica de perpetuação do bom, e o consolo da agrura.

Convido-o gentilmente a aderir esta campanha. Leia poesia! Faça poesia! Viva poesia. A cura é mais sutil e permanente do que podemos imaginar.

Plá da Semana

Biblioterapia, de Eva Maria Seitz
95 páginas – Habitus Editora

Nosso Manifesto da Poiesisterapia tem sua partida na Biblioterapia, que vem crescendo de forma tímida nas fileiras das universidades. Aliando os profissionais da Biblioteconomia aos da Saúde, prescreve-se a leitura e a contação de histórias como um passatempo, cultura e também para auxiliar nos processos de recuperação. Este embasado livro conta um pouco dessa experiência.

Pratique a Poiesisterapia!
Carla Guedes