A arte de odiar os tais títulos não é nenhuma novidade. O seu texto está lá, imaculado… Quando você lembra que ainda falta o título! Como colocar em poucas palavras toda a idéia de um texto e, conseguir que ele faça sentido?
É antiga a tal mania de julgar um livro pela capa e um texto pelo bendito título. Se o texto fala sobre frutas e tem como nome “Maçã” pode parecer óbvio, mas desinteressante. Se a vontade de inovar existe e o texto sobre frutas é nomeado por “Águias do Pantanal” acaba-se fugindo da proposta do conteúdo, e fica tudo então meio perdido.
Em meio a minha pequena experiência, tomei ódio pelos títulos. Acabar uma matéria e ter que defini-la em poucas palavras, que digam o assunto, o propósito e que além de tudo faça com que você, caro leitor, se interesse pelo meu assunto, me fazia dar pulos gigantescos.
A minha criatividade se limitava ao óbvio, se vamos falar sobre frutas o nome do texto seria “frutas” e ponto final. Para quê tanto enfeite em algo simples, correto? Erro meu. Aposto que eu perdi muitos leitores sedentos por conhecimentos interessantes simplesmente por ter desistido nas primeiras tentativas de criar um nome para os meus feitos escritos.
Bolei mil idéias dessa vez, fiz e refiz, apaguei, copiei, colei… E o nome do meu atual texto não ultrapassou a linha do “nada original, tente outra vez”. Pior que escrever matérias e depois nomeá-las, é fazer textos para a pior professora de redação de todos os tempos que tira ponto desde a menor vírgula.
Você deixa o título para o final do texto, como é proposto pela maioria dos professores, mas não seria um erro essa tal regra? Ao término do texto seu cérebro já está cansado, como bolar algo que precise de tanta, inspiração? Mas você segue à risca, afinal eles devem saber o que dizem. Termina aquele texto que tem praticamente trinta linhas de acordo com as normas exigidas e vai para a pior parte.
A cabeça ferve! Se fizéssemos parte de um desenho animado sairia fumaça da sua humilde cabeça pensante. Surge então a idéia, o título perfeito! Você o coloca, fugindo dos clichês e entrega a sua professora das trevas, acreditando que está “abafando” com aquele título “tudo de bom”. Semanas depois o resultado chega. Ao final da folha, segue um bilhete:
“Ótimo título, mas o que ‘amor – verbo intransitivo’ tem a ver com os problemas econômicos da África do Sul?”
Nem um pouco desanimador, imagina! Queria poder lançar uma campanha no estilo “Fome Zero”, mas dizendo: “Título Zero” ou simplesmente colocar “título” ou “espaço reservado para o título” ao invés de queimar neurônios tentando desvendar o mistério de tais definições.
Finalizo a matéria de hoje, estreando o site, e deixando com vocês a minha indignação. E assim, como em programas de televisão, abro o espaço para envio de idéias para os meus futuros (e odiados) “nomes da matéria que vem abaixo” ou, se preferir, títulos.
Amanda Braz


















